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Com crise no abastecimento, Saae volta a recorrer a caminhões-pipa enquanto captação opera pela metade

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Por Claudio Caterinque – Repórter

São Mateus — A crise no abastecimento de água em São Mateus começa a deixar de ser apenas um problema pontual para revelar uma fragilidade estrutural do sistema. Com bairros já enfrentando falta de água, o Município precisou reforçar o atendimento emergencial com caminhões-pipa, enquanto o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) convive com uma limitação que ocorre todos os dias: a captação no Bairro Porto depende diretamente das condições da maré.

A Reportagem ouviu nesta semana moradores de vários pontos da cidade que relatam que a falta de água está constante. Uma moradora do Bairro Porto disse que a água chega à casa dela apenas em alguns momentos do dia. Segundo ela, nesta sexta-feira por exemplo, a água caiu em um breve período no início da manhã, e só voltou a chegar no fim da tarde.

Ainda de acordo com relatos da moradora para a Reportagem, já é possível perceber movimentação nas biquinhas localizadas na Avenida Cricaré, principalmente nas primeiras horas da manhã e início da noite.

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Uma trabalhadora do comércio e moradora do Bairro Ayrton Senna afirma que a falta de água é diária. Segundo ela, outro problema também traz preocupação: a salinização. “Minha mãe disse para não usar mais a máquina de lavar. Ela tem medo de estragar”, disse a mateense, que pediu para o nome não ser divulgado.

Um morador dos condomínios Villages, no Bairro Litorâneo, afirma que o problema enfrentado na localidade não tem relação com a falta d’água, mas sim, com a qualidade dela. Segundo ele, o bairro conta com abastecimento por poço artesiano. No entanto, ele frisa que a água não recebe tratamento. “Por isso, a água que chega na minha casa é de péssima qualidade.”

Captação preocupa

Em nota encaminhada pela Secretaria de Comunicação, a Prefeitura afirma que, atualmente, o Saae consegue captar água, em média, durante 12 horas por dia. “Nas outras 12 horas, a operação é interrompida durante a maré cheia e retomada somente quando a maré recua” – destaca.

O dado é preocupante porque significa que, diariamente, o sistema passa metade do tempo sem realizar a captação naquele ponto. Com a redução da disponibilidade de água, a consequência chega diretamente às torneiras dos moradores.

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CAMINHÃO-PIPA

Enquanto a Prefeitura tenta lidar com a redução da capacidade de captação, caminhões-pipa são utilizados para abastecer as regiões mais afetadas. De acordo com o Município, a medida é necessária e, em determinadas situações, indispensável. A prioridade para pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como moradores acamados, é uma das respostas diante da situação de emergência.

Bairros sem poços são os mais vulneráveis

A própria Prefeitura reconhece que os pontos de desabastecimento estão concentrados principalmente em bairros que ainda não contam com poços de abastecimento.

O cenário revela que, enquanto algumas regiões possuem alternativas de fornecimento, outras ficam mais expostas quando a captação principal perde capacidade. Isso torna a expansão da infraestrutura uma questão urgente.

NOVAS PERFURAÇÕES

O Município informa que já concluiu o processo licitatório para a perfuração de novos poços e que os serviços devem começar na próxima segunda-feira (31). A iniciativa pode representar um importante reforço para o abastecimento. Entretanto, a população ainda terá de esperar pela execução dos serviços e pela entrada efetiva dos novos sistemas em operação.

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Emergência foi decretada

Diante do cenário, a Prefeitura afirma que decretou situação de emergência. Segundo a nota enviada pela Secretaria de Comunicação, essa solução permite a adoção de outras medidas necessárias para enfrentar o cenário de desabastecimento.

“Paralelamente, segue a distribuição de água por caminhões-pipa para atender as áreas que apresentam maior necessidade” – reforça.

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