segunda-feira, abril 13, 2026
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Clones de café impulsionam produtividade e sustentabilidade da cafeicultura capixaba

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A pesquisa e o melhoramento genético vêm transformando a cafeicultura do Espírito Santo, com destaque para o cultivo de clones de café que elevam a produtividade, garantem maior uniformidade das lavouras e ampliam a resistência a pragas e doenças. Desenvolvidas e recomendadas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), as cultivares clonais têm contribuído para o aumento da renda no campo e para a sustentabilidade da produção.

O programa de melhoramento do café conilon no Estado é referência nacional. A partir da seleção criteriosa de plantas matrizes com alto desempenho agronômico, foram desenvolvidas cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras capixabas. Entre os principais materiais recomendados estão a Vitória Incaper 8142, com alto potencial produtivo e ampla adaptação regional; a Diamante ES8112, de maturação precoce e elevado rendimento; a Jequitibá ES8122, com estabilidade produtiva e vigor vegetativo; a Centenária ES8132, de ciclo tardio que amplia a janela de colheita; e a Marilândia ES 8143, tolerante à seca.

Foto: Daniel Borges/Incaper – Divulgação

Segundo o pesquisador do Incaper Abraão Verdin, o programa de melhoramento genético do café conilon foi responsável por uma profunda transformação na cafeicultura capixaba nas últimas décadas.

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“O desenvolvimento das primeiras variedades clonais representou uma verdadeira revolução no campo, elevando significativamente a produtividade das lavouras. Com o avanço das pesquisas, surgiram materiais cada vez mais produtivos, resistentes e adaptados às condições climáticas do Estado, como a Vitória Incaper 8142 e, posteriormente, cultivares como Diamante ES8112, Jequitibá ES8122 e Centenária ES8132. Hoje, com a combinação entre genética superior e técnicas de manejo, como a poda programada de ciclo, muitas lavouras já alcançam produtividades superiores a 150 sacas por hectare”, explicou.

Essas cultivares são compostas por conjuntos de clones superiores compatíveis entre si, o que garante maior uniformidade da lavoura, estabilidade produtiva e melhor aproveitamento da colheita.

Café arábica 

Além do conilon, o Incaper também tem avançado na validação de cultivares de café arábica adaptadas às regiões de maior altitude do Estado. Em maio de 2025, o instituto anunciou a recomendação de novos materiais após seis anos de pesquisas conduzidas em 12 municípios das regiões das Montanhas, Caparaó e Noroeste capixaba. Entre as cultivares indicadas estão Catucaí 785/15, Catucaí Amarelo 2SL, Catucaiam 24137, Japy, Acauã Novo, Arara, IPR 103 e Tupi IAC 1669-33. Os materiais apresentam elevado potencial produtivo, qualidade superior de bebida e resistência a pragas e doenças.

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De acordo com o pesquisador do Incaper Maurício Fornazier, os estudos realizados diretamente em propriedades de agricultores familiares demonstraram ganhos expressivos para a produção de café arábica no Estado.

“Os resultados mostram que o uso dessas cultivares pode elevar a produtividade das lavouras em até 100% e reduzir significativamente a necessidade de fungicidas para o controle da ferrugem-do-cafeeiro. Além disso, a adoção de materiais com diferentes épocas de maturação permite ampliar o período de colheita, melhorar a qualidade da bebida e otimizar o uso da mão-de-obra familiar e das estruturas de pós-colheita”, destacou.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o investimento em ciência é estratégico para manter o Espírito Santo na liderança da produção nacional.  “O fortalecimento da pesquisa e do melhoramento genético garante ao produtor acesso a materiais mais produtivos, resistentes e adaptados às nossas condições climáticas. Isso significa mais competitividade, sustentabilidade e renda no campo. A cafeicultura capixaba é referência porque investe em tecnologia e inovação”, afirmou.

A gerente de Projetos de Cafeicultura, Aline dos Santos Silva, reforça que os ganhos são potencializados quando as cultivares são associadas às boas práticas de manejo.  “A adoção dos clones e das novas cultivares, aliada à adubação equilibrada, irrigação eficiente, poda adequada e controle fitossanitário, proporciona incrementos significativos de produtividade. Além do aumento do volume colhido, o produtor percebe maior uniformidade da lavoura, menos falhas e melhor organização da colheita”, explicou.

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Foto do destaque: Daniel Borges/Incaper – Divulgação

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