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CLAUDIO CATERINQUE: Alfabetização midiática para combater fake news

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Claudio Caterinque. -Foto: Arquivo TC Digital

A era da informação! No processo de evolução humana, nunca na história conseguimos avançar tanto em tecnologias em um período tão curto de tempo. Desde o ano 2000, com a popularização da internet, se passaram apenas 25 anos, para ser mais didático, um quarto de século. Mas ao contrário do que diz, em resumo, a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin, que os seres evoluem de geração em geração, o que está ocorrendo, na verdade, é o inverso. A humanidade realmente parece sofrer de um processo de involução.

Voltando ao ano 2000, quando a internet começou realmente a se popularizar no mundo inteiro, inclusive no Brasil, intelectuais da época teorizavam que o planeta estava entrando numa nova era de compartilhamento do conhecimento. A internet era vista como a nova Ágora –na antiga Grécia, era o local onde os intelectuais se encontravam para difundir a inteligência adquirida. Mas o que aconteceu nos anos que se seguiram foi a vulgarização do pensamento, o emburrecimento de uma parcela da sociedade e o culto à criatividade para coisas supérfluas.

Imagem de freepik

Houve, na verdade, uma inversão de valores, onde os idiotas são louvados pela ignorância que se orgulham em difundir e ganham cada dia mais seguidores, que pensam igual –ou ao menos deveriam exercer a faculdade de raciocinar–, e os intelectuais se retraem pelo desprazer de compartilhar o conhecimento pelo simples fato de não encontrarem no outro a capacidade cognitiva de serem compreendidos.

De certa forma, o mundo segue os caminhos da ficção. Cito um filme, que acredito ser desconhecido pela maioria, chamado Idiocracia, que trata do personagem Joe Bauers (Luke Wilson), um norte-americano comum, que é selecionado para participar de um programa de hibernação. Ele é esquecido no projeto e, 500 anos depois, acorda no futuro e descobre uma nova sociedade. Aos poucos, percebe que as pessoas desse futuro fictício são completamente idiotas e ele, uma pessoa comum, se torna o mais inteligente da Terra.

Com tantos idiotas sobrando no mundo, não sobra espaço para o que realmente importa. Com isso, qualquer evento, que para a sociedade pré-Anos 2000 era recebido como irrelevante, hoje ganha a atenção de milhões na velocidade da luz. Uma mulher no avião, um mendigo que se envolve em polêmica, um jovem jogando bola de forma irreverente, rapidamente essas pessoas foram alçadas à fama, mas, sem, de fato, darem qualquer tipo de contribuição que seja útil para a sociedade.

Na contramão, temos vários notáveis na sociedade que produzem conhecimento, ciência, tecnologia, que para o grande público, são completamente anônimos.

Acontece que, em meio a esse turbilhão de coisas estranhas, os idiotas estão ganhando notoriedade e, de certa forma, dominando o mundo, real e virtual, conforme previu Nelson Rodrigues. Qualquer uma pessoa na atualidade, por mais incapacitada que seja, com alguns milhares de seguidores, possui o poder de fazer o apagamento de histórias, e de vidas. Basta difamar, fazer um comentário maldoso, inventar uma mentira, pronto! Há uma vida destruída.

O que acontece com a sociedade atualmente, e que está sendo objeto de grandes estudos, é que o cidadão comum está perdendo a capacidade de discernir o que é mentira do que é verdade. Com isso, cria-se um ambiente perfeito para a proliferação de idiotas.

Mas, há salvação. Como alguns modelos educacionais que estão surgindo no mundo, como na Finlândia, onde as crianças, desde os primeiros anos da educação básica, estão tendo lições para terem a capacidade de diferenciar uma informação verdadeira de uma fake news. É a chamada alfabetização midiática que tem o objetivo de combater fake news e que se apresenta como um remédio eficaz.

Esse é um bom exemplo que a sociedade, neste momento, deveria se debruçar para que viralizasse no mundo inteiro, inclusive no Brasil, para podermos sair dessa nova Idade das Trevas –um período da história europeia marcado principalmente pelo declínio cultural que perdurou até século 15.

 

(*Claudio Caterinque é jornalista e titular na coluna Informe TC publicada aos sábados no jornal Tribuna do Cricaré.)

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