Por
Wellington Prado
Repórter
O Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), em São Mateus, reúne a partir desta quarta-feira (2) profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, gestores e representantes de movimentos sociais para discutir estratégias de enfrentamento à tuberculose. O 2º Seminário Manejo da Tuberculose prossegue até quinta-feira (3) e tem como tema A importância da intersetorialidade no desfecho clínico.
A programação inclui palestras, minicursos e apresentação de trabalhos científicos relacionados à doença. Até ontem, 380 pessoas já haviam confirmado inscrição no evento, que conta com participantes e convidados de diferentes regiões do País.

Foto: Divulgação
Realizado pelo projeto Desmistificando a Tuberculose em São Mateus, desenvolvido no Ceunes, o seminário busca ampliar o debate sobre uma doença que, apesar de conhecida e tratável, ainda representa um importante problema de saúde pública. A proposta é discutir como a integração entre diferentes áreas e setores pode contribuir para melhorar o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento dos pacientes.
O projeto é coordenado pela professora doutora Leticya dos Santos Almeida Negri e tem como subcoordenadora a professora doutora Letícia Molino Guidoni.
Treinamento reúne médicos e enfermeiros
Antes da abertura oficial do seminário, uma programação de pré-evento teve início nesta terça-feira (1º), com treinamento sobre imagens radiológicas utilizadas no diagnóstico da tuberculose. A capacitação foi destinada a 80 médicos e enfermeiros, divididos em dois grupos de 40 participantes.
De acordo com Leticya Negri, a atividade buscou contribuir para o aprimoramento dos profissionais na identificação de sinais radiológicos relacionados à doença, fortalecendo a capacidade de diagnóstico.
Profissionais de vários estados participam
A programação do seminário reúne representantes de diferentes instituições e órgãos ligados à saúde. Entre os participantes estão profissionais do Ministério da Saúde, dos governos dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), da Prefeitura da Serra, e integrantes de movimentos sociais.
A presença de profissionais de diferentes áreas e regiões, segundo a organização, pretende favorecer a troca de experiências sobre as estratégias adotadas no enfrentamento da tuberculose.
Entre os convidados está a sanitarista Karina Casado, enviada pelo Ministério da Saúde, que fará uma palestra sobre a intersetorialidade como estratégia para o enfrentamento da tuberculose.
Outro destaque é a assistente social Maíra Guazzi, do Rio de Janeiro, que abordará a importância dos benefícios sociais durante o tratamento da doença.
Também participa a enfermeira mineira Ludmila Tavares, representante da Rede Brasileira de Comitês para o Controle da Tuberculose.
A programação conta ainda com a médica infectologista Lucília Molino, que possui três décadas de atuação na área de tuberculose no Espírito Santo, e com a enfermeira Geisa Fregona, que abordará o tratamento da tuberculose multirresistente.
Estudantes e profissionais integram programação
Além dos especialistas convidados, o seminário tem a participação de estudantes dos cursos de Enfermagem, Farmácia e de Medicina do Ceunes, alunos de outras instituições de ensino e profissionais da área da saúde.
Para a organização, a participação de estudantes é importante para aproximar a formação acadêmica dos desafios encontrados diariamente pelos serviços de saúde.
Ao todo, além dos 380 inscritos no seminário, o treinamento sobre diagnóstico por imagens reúne outros 80 profissionais.
“Tuberculose é uma doença transmissível que mata”
A professora Leticya Negri destaca que, apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose continua exigindo atenção das autoridades e dos profissionais de saúde.
“Ela é uma doença transmissível, que mata. Ela tem metas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em 2035, a gente não tenha mais a doença nem no Brasil nem no mundo” – afirma.
Segundo a professora, o projeto Desmistificando a Tuberculose é desenvolvido há 12 anos por ela e pelas professoras Letícia Molino Guidoni e Heletícia Scabelo Galavote, com atuação voltada ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Para Leticya, um dos desafios é manter a tuberculose no centro das discussões sobre saúde pública, justamente por se tratar de uma doença considerada negligenciada e diretamente relacionada a fatores sociais.
“Porque é uma doença negligenciada, é uma doença de determinação social, que, se a gente não militar, quem vai militar? Nós temos um agravante na região norte, que a maioria dos diagnósticos de tuberculose são feitos no Hospital Roberto Silvares. E isso é um erro, porque o diagnóstico tem que ser feito na atenção primária”, sustenta.
A professora ressalta, porém, que São Mateus possui um programa de tuberculose fortalecido, coordenado por Mariza Dias da Rocha, que também é parceira do projeto Desmistificando a Tuberculose e participa da organização do seminário.
Segundo ela, a proposta de discutir a intersetorialidade parte da necessidade de integrar diferentes profissionais e serviços no acompanhamento do paciente. Para os organizadores, o enfrentamento da tuberculose não depende exclusivamente do atendimento médico, mas envolve enfermagem, assistência social, vigilância em saúde, gestão pública, atenção primária, pesquisadores e participação da comunidade.
Parceria com Estado, SUS e Ministério da Saúde
O Seminário é realizado em parceria com o Governo do Estado, Sistema Único de Saúde (SUS) e Ministério da Saúde. O evento também conta ainda com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio do Edital de Apoio a Eventos Científicos.
Para os organizadores, a participação de instituições de diferentes áreas reforça a proposta de transformar o seminário em um espaço permanente de discussão, formação e troca de experiências sobre o enfrentamento da tuberculose.
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