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CARLOS ANDRÉ SANTOS DE OLIVEIRA – Cooperativismo: negócios humanos e transformação social

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Em um mundo marcado cada vez mais pela competição entre pessoas e organizações, um modelo de negócio criado há quase 200 anos vem combatendo essa lógica, mostrando que a colaboração é o melhor caminho para o sucesso: o cooperativismo.

Criado em 1844 na Inglaterra durante a Revolução Industrial, essa forma de organização surgiu em um momento de crise, quando 28 trabalhadores da época, com dificuldades para adquirir itens básicos para a sua subsistência, decidiram se unir para criar seu próprio armazém.

Daquele tempo até os dias atuais, o mundo mudou, mas uma coisa se manteve inalterada: o poder da cooperação. O trabalho em conjunto que permitiu aos fundadores da primeira cooperativa moderna superarem esse momento difícil segue como uma estratégia importante.

Hoje as cooperativas assumem um papel fundamental na sociedade. De acordo com a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), organização que representa o cooperativismo mundialmente, há hoje cerca de 3 milhões de cooperativas no planeta, que somam mais de 1 bilhão de cooperados e 280 milhões de colaboradores.

No Brasil, são 4,5 mil cooperativas espalhadas pelas 27 unidades federativas. Juntas, elas reúnem 23,45 milhões de cooperados e geram mais de 550,6 mil postos de trabalho, gerando oportunidades de emprego e renda. Esses números, que não param de crescer ano após ano, mostram a força desse movimento.

E o Espírito Santo, apesar de ser pequeno em extensão territorial, se mostra gigante nesse tema. De acordo com um levantamento prévio referente a 2024, as 114 cooperativas capixabas já são responsáveis por mais de 970 mil cooperados e quase 12 mil postos de trabalho.

Em termos econômicos, estima-se que, em 2023, as cooperativas do estado tenham movimentado R$ 14,8 bilhões, equivalente a 6,4% do PIB nominal capixaba. Um dos grandes diferenciais é que os altos números se traduzem em transformação de realidades, já que uma das grandes características do cooperativismo é gerar e manter a riqueza nas próprias localidades.

Em resumo, o modelo de negócio cooperativista consegue unir coisas que, em um primeiro momento, podem parecer opostas, como o desenvolvimento econômico e o social, o individual e o coletivo, a produtividade e a sustentabilidade. Em um momento em que se busca por relações cada vez mais humanas, o cooperativismo, com certeza, é a solução.

 

(*Carlos André Santos de Oliveira é diretor-executivo do Sistema OCB/ES, vice-presidente do Sebrae/ES e conselheiro da ABRH-ES.)

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