DANIELLE BRANT

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça-feira (8) que vai reduzir os juros nas linhas de crédito imobiliário que utilizam recursos da poupança.

O corte, porém, não será estendido pelo menos nos próximos seis meses aos empréstimos corrigidos pela inflação, modalidade lançada em agosto pelo banco público.

As reduções de taxas ocorrem tanto no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), para imóveis até R$ 1,5 milhão e que permite o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), quanto no SFI (Sistema Financeiro Imobiliário), para aqueles acima desse valor e sem a possibilidade de uso do Fundo.

A taxa mínima caiu de 8,5% para 7,5%, além da TR (Taxa Referencial). A máxima saiu de 9,75% para 9,5%.

Os juros menores são oferecidos a clientes que têm relacionamento mais próximo ao banco, como aplicações ou conta salário.

“Primeiro fizemos uma redução implícita via a linha do IPCA, e agora estamos fazendo uma redução explícita na linha da TR, para ser compatível com a redução consistente de juros realizada pelo Banco Central”, afirmou, em entrevista, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

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“Nós reagiremos a quaisquer movimentos de redução das taxas de juros pelo Banco Central. Se o Banco Central continuar reduzindo juros, nós seguiremos essa redução”.
Na linha corrigida pelo IPCA, as taxas foram mantidas. O juro mais baixo, oferecido também a clientes do setor público e com maior relacionamento com o banco, é de IPCA + 2,95% ao ano.

Para o setor privado, a taxa parte de 3,25% ao ano mais IPCA. Nos dois casos, a taxa máxima foi mantida em IPCA + 4,95% ao ano -oferecida a quem não tem relacionamento com o banco.

Guimarães descartou fazer qualquer redução nessa linha nos próximos seis meses. Segundo ele, o crédito é muito novo e, em 45 dias, o banco já alcançou a meta que tinha estabelecido para um ano, de R$ 2 bilhões.

“Efetivamente, nós estamos agora numa nova discussão, de securitização. Nesse momento, nós queremos testar o que conversamos sobre vender esse crédito. Já existe uma demanda muito grande, mas, como banco da matemática, nós fazemos um passo depois do outro”, disse. “Mesmo que haja uma redução de taxa de juros, nós não pretendemos reduzir a linha do IPCA pelos próximos seis meses pelo menos, até testarmos a securitização.”

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O presidente da Caixa afirmou que qualquer redução de juros potencialmente ocorrerá na linha da TR. “Nós já temos uma linha com redução muito grande, muito menor do que qualquer linha de TR no mercado, 30% menor. Esse não é o foco.”

Na linha corrigida pelo IPCA, o valor da prestação é atualizado pelo IPCA mensal, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O saldo devedor é corrigido pelo índice e dividido pelo número de parcelas -na linha tradicional, o saldo devedor é reajustado anualmente pela TR, hoje zerada.

A Caixa também informou dados sobre a campanha de renegociação de dívidas da casa própria.

Em junho, o banco tinha a expectativa de atrair 600 mil famílias, ou 2,3 milhões de clientes, e recuperar R$ 1 bilhão com a regularização. Até o momento, no entanto, somente 114 mil clientes aderiram, com um volume total de R$ 10,1 bilhões renegociados.
A Caixa detém cerca de 70% do crédito habitacional do país.

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