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BR-101 fica interditada por seis horas durante protesto de moradores em Conceição da Barra

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Por Tatiana Milanez – Repórter

Conceição da Barra – Moradores do Quilombo Angelim II, localizado em Conceição da Barra, interditaram a BR-101, na altura do km 35,5, defronte à entrada da empresa Alcon na manhã de ontem. De acordo com uma das lideranças do movimento, Flávia dos Santos, a manifestação reivindicava um perito para coletar amostra de água num manancial que supostamente teria sido contaminado no início da semana por produto oriundo da área industrial da empresa.

De acordo com Flávia dos Santos, que se identificou como secretária da Associação Comunitária do Angelim II, a interdição começou por volta das 6h30 e foi encerrada por volta das 12h30. “O perito chegou às 12h30. Nesse momento, liberamos a BR e fomos acompanhar a perícia” – afirma.

Flávia relata que foi observada mortandade de peixes e mariscos na região desde a terça-feira (12). Segundo ela, na quarta-feira (13) notou uma mudança nas características do Rio Angelim, que ela chamou de contaminação. “Identificamos na quarta-feira, e até o momento [sexta-feira pela manhã] não tinha sido feita nenhuma perícia no rio para análise da água pelas mortes de peixes e camarões do nosso rio. Então, fizemos a interdição solicitando a presença de um perito” – reforça.

De acordo com Flávia, um agente da Polícia Federal de São Mateus, Marcos Patrick Santos Cazelli, esteve no local com uma equipe para coletar amostra de água.

Representante da Alcon diz que contaminação não está relacionada com atividade industrial

Representante da empresa Alcon, Felipe Ferreira dos Santos afirmou ontem que não há comprovação de que a mortandade de peixes registrada próxima à comunidade Angelim II esteja relacionada à atividade industrial da companhia. Ele, que se identificou como responsável pela área agrícola da empresa, destaca que, após rumores de um possível vazamento de vinhaça, resíduo utilizado como adubo orgânico na lavoura de cana-de-açúcar, foram tomadas as medidas necessárias.

“Tomamos conhecimento da situação na terça-feira (12) e imediatamente iniciamos uma averiguação no local” – afirma. Ele frisa que interrompeu as operações para verificar possíveis sinais de vazamento, tubulações rompidas ou escorrimento de resíduos, mas salienta que nada foi identificado.

De acordo com Felipe, a Alcon, assim como todas as empresas do País do mesmo segmento, segue um protocolo conhecido no meio como Programa de Aplicação de Vinhaça (PAVI), que, conforme explica, é um procedimento obrigatório para empresas do setor. “O PAVI estabelece regras para aplicação do material e medidas de contingência em casos de acidentes ou suspeitas de incidentes. Mesmo sem confirmação, nós suspendemos a operação imediatamente, fizemos a verificação e fomos até a comunidade [Quilombo Angelim II] prestar esclarecimentos” – enfatiza.

Segundo Felipe, a área onde foram encontrados peixes mortos é uma represa localizada em propriedade arrendada pela Alcon para plantio de cana-de-açúcar, nas proximidades da comunidade Angelim II.

MANIFESTAÇÃO
De acordo com Felipe, durante a manifestação realizada por moradores ontem na BR-101, uma equipe da Alcon esteve no local. Ele afirmou ainda que esteve no local e providenciou o fornecimento de alimentação e água para os manifestantes e permaneceu à disposição para diálogo.

Felipe Ferreira afirmou atuar há 17 anos no setor agrícola ligado à produção sucroalcooleira, incluindo experiências em outros estados e até no exterior. Segundo ele, essa é a primeira vez que uma situação semelhante ocorre na Alcon desde a chegada dele à companhia barrense, há dois anos.

Foto: Divulgação

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