JULIA CHAIB E RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (22) que o sistema de informações particular, alheio aos oficiais, citado por ele na reunião ministerial do dia 22 de abril se refere a dados que ele recebe de modo informal de integrantes de determinados órgãos de segurança, por exemplo.

“É um colega de vocês da imprensa que com certeza eu tenho, é um sargento no Batalhão de Operações Especiais no Rio, um capitão do Exército em Nioaque [município de Mato Grosso do Sul[, é um capitão da Polícia Civil em Manaus, é um amigo que eu fiz em um determinado local”, disse o presidente.

A declaração foi dada após Bolsonaro ser questionado sobre o que seria a rede de informações citada na reunião.

“Essa informação que eu tenho pessoal minha, que eu descubro muitas coisas, que lamentavelmente não descubro via inteligência oficial, que é a Polícia Federal, Marinha, Aeronáutica e Abin”, disse em frente ao Palácio da Alvorada.

No encontro entre o presidente e ministros cujo vídeo foi divulgado nesta sexta-feira (22), Bolsonaro disse que os órgão oficiais, como a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), “desinformam”. Ele reclamou de não receber dados de órgão de inteligência.

“Se reunindo de madrugada pra lá, pra cá. Sistemas de informações: o meu funciona”, afirmou Bolsonaro. “O meu, particular, funciona. Os ofi… que tem oficialmente, desinforma [sic]. Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”, continuou o presidente.

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A declaração consta da transcrição do vídeo do encontro, feita pela Polícia Federal e divulgada nesta sexta (22), após autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello.

Na entrevista em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro comentou a divulgação do material e repetiu que não tentou interferir na Polícia Federal, como acusou o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

“Nunca interferi na PF, mas, coincidência, só depois da saída do Sergio Moro que a PF começou a andar pra frente. Eu nunca interferi, sempre liberdade total”, afirmou.

Ao reclamar de ser vítima de injustiças, Bolsonaro citou a menção ao seu nome no depoimento de um porteiro do condomínio onde tem casa, no Rio, ouvido na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Inicialmente, o porteiro disse que um dos suspeitos de assassinar a vereadora havia ido à casa dele, mas depois ele informou que havia se confundido.

Após mencionar esse caso, Bolsonaro disse que falou para Moro que não queria ser chantageado.

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“O tempo todo vivendo sob tensão, possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu, onde provas seriam plantadas, levantei isso graças a Deus, tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro, que estava sendo armado para cima de mim”, disse.

“Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado. Nunca tive sucesso para nada, é obrigação dele me defender, não é me defender de corrupção, de dinheiro encontrado no exterior, é defender o presidente para que eu possa ter paz”, continuou.

O presidente também reclamou da divulgação da íntegra do vídeo da reunião ministerial nesta sexta.

“A responsabilidade de tudo no vídeo que não tem a ver com inquérito é do senhor ministro do Supremo Celso de Mello”, disse. “Nenhum ministro meu tem responsabilidade do que foi dito ali, porque foi uma reunião reservada”, afirmou.

Na ocasião, o ministro Abraham Weintraub (Educação) disse que os ministros do STF são vagabundos e que por ele colocava “todos na cadeia”.

Em outro momento, o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) disse que é hora da edição de medidas de desregulamentação e simplificação, uma vez que os veículos de imprensa estão, neste momento, concentrados no combate à pandemia de Covid-19.

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“Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse.

Em frente ao Alvorada, nesta sexta, o presidente defendeu seu ministro.

“O Salles enfrenta um perrengue enorme. Dizem que ele está botando fogo na Amazônia. Estão tocando fogo no rabo de bons brasileiros.”

Na frente do Alvorada, Bolsonaro disse que o vídeo também mostra a “preocupação em armar o povo”. “O melhor exército que pode existir para conseguir a liberdade é o povo armado. Eu não quero ditadura no Brasil, quero liberdade”, disse.

Na reunião, o presidente defende ainda que a população brasileira seja armada para que resistam à imposição de uma nova ditadura no país. Segundo ele, “é fácil impor uma ditadura no Brasil”.

“Por isso que eu quero que o povo se arme. Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui. Que é fácil impor uma ditadura. Facílimo”, disse. “Por que eu estou armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura. E não dá pra segurar mais. Não é? Não dá pra segurar mais”, acrescentou.

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