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ARTIGO: PADRE ERNESTO ASCIONE – Teologia da história

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O simbolismo – muito usado pelos profetas do Antigo Testamento, pois vivendo, no meio de um povo de pastores e agricultores, os israelitas eram educados pelos fenômenos da natureza e pelo movimento da lua e das estrelas – foi utilizado por Jesus – o maior de todos os profetas e os mais sábios de todos os sábios – resgatando, assim, a tradição profética, que fez grande uso deste método pedagógico. O livro dos Juízes, por exemplo, relata a parábola do espinheiro; o segundo livro de Samuel, de Natã e Davi; Ezequiel, do cipreste; Isaias, da vinha; Jeremias, do vaso e do oleiro, e o Cântico dos Cânticos, do esposo, apaixonado pela Sua esposa.

A parábola dos vinhateiros homicidas é narrada pelos três evangelistas sinóticos, –Mateus, Marcos e Lucas –, sinal do enorme impacto, que teve nas primeiras comunidades cristãs. É chamada, também: “Parábola da Rejeição do Messias” ou da “Teologia da História”: é, de fato, um compêndio teológico de toda a história da salvação, desde a aliança de Deus com Abraão, passando pela aliança com Moisés, no monte Sinai, até à fundação da Igreja, como, novo povo de Deus.

Entre as parábolas, narradas por Jesus, é a mais forte e contundente, pois denuncia a rejeição do Messias por Israel: foi tão clara, que “os Sumos Sacerdotes e os fariseus entenderam muito bem que Jesus estava falando deles”. Por isso, ficaram furiosos e “procuraram prendê-Lo, mas tiveram medo das multidões”. Por não acolherem Jesus como o Messias prometido: “o Reino de Deus lhes será tirado e entregue a um outro povo”. Nesta parábola, aparece claro a unidade entre as duas alianças: a primeira prefigura a segunda. O patrão da vinha é Deus; o povo de Israel, a vinha; os chefes religiosos, os vinhateiros; os servos dos donos da vinha, os profetas.

Na história de Israel, os profetas tiveram vida difícil: Jeremias foi torturado e lançado numa cisterna; Isaias, serrado pelo meio; Zacarias, lapidado; Moisés, perseguido. O destino dos profetas antecipa, assim, os sofrimentos do último Enviado, o Filho, o Herdeiro da vinha, que, acusado falsamente, será preso, castigado, crucificado e morto. O Filho da parábola é, assim, o próprio Jesus Cristo, Aquele, pelo qual Deus, – depois dos profetas –, falou, pela última vez e de modo definitivo, e constituído “Herdeiro de todas as coisas”.

Em modo velado, o Divino Mestre anuncia seu próprio fim: Sua morte acontecerá “fora da vinha”. Sua rejeição vai envolver na ruína todo o povo de Israel, com o seu Templo e seus sacerdotes. Assim, acontecerá, hoje, com todo aquele que não acolher Cristo em sua vida: Ele – o centro de todos os corações – é quem dá sentido à história de Israel, ao nosso próprio itinerário terreno e da humanidade inteira. Jesus Cristo –“Pedra descartada”, mas, escolhida como “pedra angular” de um novo povo de Deus– fundou a Igreja pelo sacrifício de Sua Cruz. O cristianismo é Cristo e ser cristão é pertencer, amar, servir e seguir a Ele, produzindo frutos maduros de “justiça, misericórdia e fidelidade”: sem Ele a vida humana fica vazia de sentido e triste demais.
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(*Padre Ernesto Ascione é missionária comboniana.)

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