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ARTIGO: PADRE ERNESTO ASCIONE – Festa da Eucaristia

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A Festa do “Corpus Christi”, – do Corpo e Sangue de Cristo –, que amanhã, quinta-feira, feriado nacional, celebramos, é um prolongamento do mistério da Quinta-feira Santa, visto à luz da Ressurreição do Senhor; é, também, um ato público de fé, que visa prestar uma homenagem, de louvor e gratidão, a Nosso Senhor Jesus Cristo, que quis tornar-se presente, de modo misterioso, mas, real, no sacramento da Eucaristia.
O Verbo do Pai, ao assumir o drama da nossa existência terrena, quis “experimentar em tudo a nossa condição humana, fora do pecado” – diz Paulo, na carta aos Hebreus. Na História, a maior prova de amor foi a de Cristo, o Verbo do Pai, que se encarnou e deu Sua vida para nos resgatar do poder do Maligno e da Morte e partilhar conosco a Sua vida imortal.
A Páscoa judaica – celebrada, na noite, em casa, na intimidade da família, em que era imolado e comido o cordeiro – foi a prefiguração da Eucaristia. O sangue do cordeiro assado – aspergido nas arquitraves e nos umbrais das portas – protegia do anjo exterminador, que devia passar, naquela noite, pelas casas dos israelitas e dos egípcios, poupando as primeiras e castigando as segundas.
A Eucaristia, à semelhança do maná no deserto, sustenta a fé do povo cristão no seu itinerário terreno. Louvemos e agradeçamos a Deus pelo auxílio, que todos nós recebemos por tão grande sacramento: nele, o próprio Cristo nos dá a força para vencermos a inclinação ao mal, que habita em nós, herdada do nosso primeiro pai, Adão.
Força sobrenatural, a Eucaristia transforma o negativo, que sentimos dentro de nós e nos eventos tristes da nossa vida, em positivo: quantas vezes, nos campos de concentração e nas prisões, o único conforto foi a Eucaristia, levada até com o risco de sua própria vida, pelos ministros da Igreja.
O Magnificat – o canto bíblico de Nossa Senhora – expressa bem o louvor e a gratidão do povo cristão por este tão grande sacramento, do Corpo e Sangue do Senhor. A Mãe dEle, profeticamente, cantou: “Deus sacia de bens os famintos e manda embora os ricos, sem nada”. Quem come o Corpo e Sangue do Senhor ama partilhar o seu pão com os necessitados: em nossa humanidade, vítima de violência, medo, injustiças e exclusões a Eucaristia renova em nós o dinamismo do amor, de que Cristo é a fonte e o modelo.
Além de nos inspirar atitudes de misericórdia, gratuidade e inclusão, a Eucaristia nos faz pessoas, amantes da paz; nos leva a engajar-nos na luta por um mundo melhor e a fazer de nossa vida uma vigília de uma grande festa, pois a Eucaristia é penhor de vida eterna.
A “Procissão do Corpus Christi”, pelas ruas e praças de nossas cidades, tem por finalidade abençoar o nosso convívio social, com a riqueza de suas classes sociais e suas instituições, como, também, renova, em nossos dias, o desejo das multidões do tempo de Jesus, que queriam ver, ouvir e tocar no Divino Mestre, pois dEle saia uma força, que sarava todos os males e enfermidades.
(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

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