A solenidade de Pentecostes celebra um acontecimento de capital importância, na história da Igreja e da humanidade: a efusão do Espírito Santo, característica dos tempos novos, dos tempos messiânicos. É Ele, que, de fato, inspira, em todos os corações, atos de bondade, justiça e religiosidade até os homens encontrarem em Cristo, o sentido mais profundo e definitivo de suas vidas.
Acontecido 50 dias depois da Páscoa, Pentecostes completa o mistério pascal, da Morte e Ressurreição do Senhor: a vida nova do Ressuscitado é participada à humanidade. Inicia, assim, a pregação do Evangelho na história humana e o crescimento da Igreja entre os povos: o mundo começa a produzir frutos de amor, paz, alegria, paciência, serviço, humildade, bondade, confiança, mansidão e autodomínio.
O monte Sinai, na península arábica, e o Cenáculo, no monte Sion, em Jerusalém, estão intimamente interligados: à assembleia dos doze tribos de Israel, no Sinai, corresponde, no Cenáculo, a dos Doze apóstolos; lá, é dada uma lei, escrita sobre tábuas de pedra, em Pentecostes, a lei é gravada no coração dos homens; no Sinai, é entregue às doze tribos uma lei, que fez de um povo dividido em 12 tribos, um povo unido, numa Constituição, que os identifica como povo de Deus, no Cenáculo, o Espírito Santo faz nascer um povo novo, a Igreja, de que Cristo é a Cabeça, o Esposo.
No Sinai a aliança ficou limitada a um povo restrito, dos patriarcas e dos profetas, no Cenáculo, a lei do Espírito é gravada no coração de todos os povos da terra; a pertença ao antigo povo de Deus, no Sinai, era caracterizada por um sinal na carne, a circuncisão, no novo povo, ao invés, por um sinal espiritual, a fé e o batismo (também, o de desejo); lei, não mais fundada, por homens mortais, como Confúcio, Buda, Lao Tse, Moisés, Maomé, mas, pelo próprio Cristo, que “permanece eternamente”.
O Espírito Santo – prefigurado: na criação do mundo, “o Espírito de Deus halitava sobre as águas primordiais”, e do homem, “Deus plasmou o homem com o pó da terra e soprou nas suas narizes o hálito de vida e o boneco de barro se tornou um ser vivente”, como, na visão de Ezequiel das “ossadas áridas” e das “águas que jorravam do lado direito do Templo”; “pelos profetas” , como professamos no Credo, – foi anunciado por João Batista: “Eu batizou-vos em água, mas, Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu… Ele vos batizará com o fogo do Espírito Santo”.
Missão específica de Jesus foi doar aos homens o Espírito Santo e batizá-los no “banho regenerador” de Sua Morte e Ressureição: como uma cascata fecunda uma imensa planície, assim, o Espírito Santo –como um rio de águas vivas– apaga o incêndio do mal e acende no mundo o fogo do Amor divino, confraternizando os povos entre eles. Pentecostes é, assim, celebrar o Espírito Santo, que age em cada um de nós, na Igreja e no mundo: importa sermos dóceis aos seus apelos e deixarmo-nos conduzir pelo Seu poderoso sopro renovador.
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(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)





