O conjunto de ensinamentos da Igreja sobre questões sociais, fundamentado no Evangelho e na Tradição Oral ou magistério da Igreja forma a Doutrina Social da Igreja. No seu vasto e articulado ensino social, econômico, político e ecológico, a Igreja dá ênfase, em modo particular, ao dever e ao direito de todo ser humano ao trabalho, como, à necessidade de dar-lhe uma justa retribuição.
O primeiro a tratar de “justiça social” foi Papa Leão XIII, com a encíclica “Rerum Novarum” (1891); Pio XI deu continuidade com a “Quadragésimo Anno”; Papa João XXIII, com a “Mater et Magistra” (1961) e “Pacem in Terris” (1963); Papa Paulo VI, com a “Populorum Progressio” (1967) e “Octogésima Adveniens” (1971; Papa João Paulo II, com a “Laborem Exercens” (1981) e a “Centesimus Annus” (1991), Papa Francisco, com a: “Laudato Si “e “Fratelli Tutti” e Leão XIV com a “Dilexi Te”.
Na “Laborem Exercens”, João Paulo II levanta um hino de louvor a Deus pelo dom do trabalho e reflete sobre o “Evangelho do trabalho”. “Trabalho é todo tipo de atividade trabalhista ou criativa, realizada por um ser humano, independentemente, de sua avaliação utilitária ou retribuição salarial. O trabalho –diz o Papa– não é somente prerrogativa do mundo operário, mas, é toda atividade laboral: manual, doméstico, social, assistencial, profissional, técnico, intelectual, estudantil, docente, pesquisas, criação artística e apostolado pelo Reino de Deus”.
“O capitalismo liberal – diz ainda o Papa – reduzindo o trabalho à mercadoria, à compra-venda e à mercê da oferta e da procura, como, também, o marxismo, que define o trabalho como o grande meio com que as classes dominantes exploram os trabalhadores – devem ser rejeitados. Se, na sociedade capitalista, quem beneficia, exclusiva e unilateralmente, do trabalho é quem detêm o capital, pois com ele fica a plusvalia da produção, na sociedade socialista, ao invés, é promovida a ditadura do proletariado, a nacionalização dos meios de produção e a religião é considerada ópio dos povos, um freio, ao desenvolvimento do homem novo, desprezando, deste modo, a sua dimensão transcendente, fundamento de sua verdadeira dignidade”.
A Bíblia apresenta Deus, como, pastor, vinhateiro, construtor e Seu Filho, o Verbo Encarnado, como, carpinteiro, junto com São José: “Circunstância esta, que constitui por si só o mais eloquente Evangelho do trabalho” – diz o Papa. São José –homem justo, trabalhador honrado– nos recorda as recomendações de Seu Filho: “Não só de pão vive o homem…Trabalhem não por um alimento que perece, mas, por aquele que perdura para a vida eterna, aquele, que doa o Filho do Homem”.
O trabalho, na visão cristã, é cooperar com Deus para cultivar e aperfeiçoar a obra de Sua criação; é condição para o homem se realizar como pessoa humana; é contribuir, para o progresso do bem comum e o crescimento científico, cultural e moral da sociedade; é, enfim, dedicar um tempo ao repouso semanal, para adorar a Deus e crescer na comunhão com Ele e Sua Palavra, pois “a razão mais alta da dignidade humana – diz o Concílio – consiste na vocação do homem de se unir a Deus”.
(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)





