InícioCotidianoARTIGO: PADRE ERNESTO ASCIONE - Deus Uno e Trino

ARTIGO: PADRE ERNESTO ASCIONE – Deus Uno e Trino

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O mistério de um Deus Uno e Trino – inacessível à pura razão humana – foi revelado pelo Verbo de Deus, que se fez homem: “Ninguém jamais viu a Deus – diz João, no seu Prólogo, – o Filho Unigênito, que está no seio do Pai, Ele no-Lo deu a conhecer”. A Santíssima Trindade está presente no “cosmos”, como, em todo evento humano e no mais íntimo de nós mesmos: “Pretender provar o mistério de Deus é ousadia – diz São Bernardo – crer nele é piedade; entrar em comunhão com Ele é plenitude de vida e alegria”.

O plano de Deus, concebido desde a eternidade, é realizado, no tempo, pelas três pessoas divinas: “na plenitude dos tempos” – diz Paulo – o Pai envia o Seu Filho para elevar a condição humana a ser participante de Sua condição divina e fundar, entre os homens, o Reino, o mundo novo de justiça, liberdade e fraternidade; o Verbo Eterno, que “se fez carne”, morreu e ressuscitou e fundou a Igreja para continuar Sua obra messiânica, no mundo, até à Parusia. O Espírito Santo, dom do Pai e do Filho, é enviado para derramar sobre os homens dons e carismas a fim de tornar salvífica a história humana.

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O mistério trinitário – mistério de Amor, que nos envolve, e dentro do qual mergulhamos como num oceano vastíssimo e inesgotável – implementa novas relações humanas, inspiradas nas relações trinitárias. Como o Pai nada perde, ao criar o mundo; o Filho Eterno, Espírito puríssimo, não se empobrece, ao se encarnar; o Espírito Santo não se priva de sua luz, ao inundar o universo, com Seu brilho, assim, o homem, ao assumir o espírito trinitário, nada perde, antes, tudo ganha, pois cresce por dentro, em humanidade, como pessoa.

Celebrar a Trindade é, assim, descobrir a presença misteriosa, mas, real de Deus, no “cosmos”; em nós, feitos Seu templo; na Igreja, comunidade trinitária; nos fatos da vida, nos fatos de nossa vida; é adorar a ela “em espírito e verdade”, doando a ela a nós próprios, como oferta silenciosa e amorosa, junto com as preces de agradecimento, louvor e intercessão; rezar, com renovado fervor e mais convicção, as orações do “Credo”, “Glória ao Pai” e “Sinal da Cruz”, elaboradas por Santo Atanásio, por ocasião do Concílio de Constantinopla (381), que afirmou o mistério trinitário.

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Mistério, que nos impulsiona a aprofundar a nossa formação bíblico-teológica-catequética e o conhecimento da história da Igreja, para viver, com mais intensidade a comunhão com as três pessoas divinas; a partilhar nossos bens, segundo a prática da Igreja dos primeiros tempos, narrada pelos Atos, haurindo, sempre, inspiração e força da Eucaristia, perene nascente de caridade.

A crescer, enfim, na dimensão missionária, pois, o amor para com as três pessoas divinas nos leva a anunciar a todos a alegria da fé, a beleza de integrarmos a família de Deus, enfim, a riqueza de tomar o compromisso social e político, que decorre da graça batismal, que nos fez discípulos-missionários, chamados a revelar ao mundo o amor sem medida das três pessoas divinas a favor da “magnífica humanidade, amada por Deus”.
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(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

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