quarta-feira, abril 15, 2026
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Artigo: PADRE ERNESTO ASCIONE* Anunciação do Senhor!

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A Encarnação do Filho de Deus deu início à nossa salvação: no Deus-conosco, o Emanuel, se cumpriu a vontade salvífica do Pai. A Virgem Maria foi o canal privilegiado através do qual fluiu até nós a Fonte de todas as graças. São Bernardo de Claraval, em relação a este evento, chama a Virgem Maria de “aquaeductus”: por isso, ao celebrar a Encarnação do Filho de Deus não podemos ignorar a mediação de Maria, pois, pelo seu “sim”, o Verbo Eterno do Pai assumiu a nossa fragilidade humana. Il suo: “Eis-me aqui; faça-se em mim segundo a Tua vontade”, fez com que “o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós”. Acontecimento humilde, escondido, mas, decisivo, para a história humana.
Começou, assim, uma viragem histórica, no itinerário da humanidade! O “sim” de Maria, de fato, foi o reflexo fiel daquele que o próprio Cristo, no início dos tempos, deu ao Pai: “Eis-me, aqui: totalmente disponível, para fazer a Tua vontade”. A obediência da Mãe reflete-se de tal modo na docilidade do Filho, que, mediante o encontro deste dois “sim”, Deus pude assumir um rosto humano e salvar o homem do abismo em que ele tinha caído. “Como pela desobediência do primeiro homem e da primeira mulher veio a morte, assim, pela obediência do segundo homem e da segunda mulher veio a salvação” – afirma Santo Irineu, bispo de Lyon (França).
Admirável, este Mistério! O Anjo, entrando onde Maria estava, não a chama com seu nome terreno, “Myriam”, mas, com seu nome divino-messiânico: “Kekaritomene” (a amada), no original greco, “a Cheia de Graça”, assim, como Deus a via desde toda a eternidade. Orígines –teólogo do terceiro século da Igreja– observa: “Nunca um semelhante título foi dirigido a um ser humano em todas as Sagradas Escrituras”. Maria, desde sempre e para sempre, “a amada do Senhor” –ao dar o seu livre consentimento ao plano amoroso de Deus– se tornou “filha de Seu Filho” –segundo a feliz expressão do maior poeta italiano, Dante Alighieri, a nova Eva. Mais admirável, ainda: “Antes de ser Mãe do Filho –diz Santo Agostinho– O gerou, na fé, no seu coração”, tornando-se, assim, a Sua mais perfeita discípula.
Deus, elevando-nos à incomparável dignidade de participante de Sua vida divina, desde a criação, confiou à família, fundada no matrimônio, a sublime missão de ser célula fundamental da sociedade e ser igreja doméstica: nela, os pais são para os filhos um sinal real e visível do amor com que Cristo nos ama. A unidade e a fidelidade dos esposos, como de sua generosidade em acolher um filho, demonstra ao mundo o quanto Deus nos ama: seu amor é para acima de qualquer limite e imaginação.
Maria –ao dar a Deus o seu “sim”, com alegria e sem reserva– nos ensina a humildade, fundamento da vida cristã; virtude, que tanto encanta o Pai Celeste, e nos ajude a sermos construtores de um mundo, mais justo e fraterno, sinal do mundo futuro, em que a morte será vencida para sempre e Deus será tudo em todos.
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(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

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