SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em sua estreia na língua portuguesa, a Alexa, sistema de inteligência artificial da Amazon que vem embarcado em alto-falantes portáteis, não conseguiu parar de tocar pagode na primeira demonstração no Brasil.
Quando ordenada por Ricardo Garrido, gerente no Brasil, a executar a playlist “Dia de Churrasco” em um encontro com jornalistas na quarta (2), em São Paulo, a assistente só encerrou a música ao receber a ordem “Alexa, pare!” pela sexta vez.
Por quase um minuto, tocou “Pé na Areia”, de Diogo Nogueira, ignorando os comandos. Um pouco antes, quando solicitada para que parasse de executar “músicas de trabalho”, finalizou de primeira. “Ela gosta de pagode”, brincou Garrido.
É provável que o sistema não tenha captado o comando porque vários dispositivos executavam a música alta.
Disponível em 15 países, a Alexa estreia em português nesta quinta-feira (3), em um ano de expansão da empresa americana no país. Desde a inauguração de um centro de distribuição de produtos, em janeiro, a Amazon lançou um plano de assinaturas para streaming e frete e um serviço de músicas similar ao Spotify.
A Alexa, que é o cérebro do assistente doméstico da companhia, vem embarcada nos aparelhos Echo, que competem com os auxiliares Home Pod (Apple), Google Home (Google) e Bixby (Samsung).
Assistentes domésticos são caixas de som que recebem comandos de voz dos usuários e executam as funções por meio de inteligência artificial.
Atendem a uma série de pedidos: pedem pizza pelo iFood, executam músicas em diferentes tocadores, apagam as luzes da casa e dão informações sobre a rotina do cliente, como reuniões e eventos agendados -é possível sincronizar com serviços de Google, Microsoft e Apple.
Os dispositivos da Amazon vêm em três versões: um pequeno disco compacto (Echo Dot), um de 23 centímetros (Amazon Echo) e um com tela auxiliar (Echo Show 5).
A pré-venda do Echo Dot e do Echo Show 5 inicia nesta quinta com preço promocional no site da empresa: R$ 249, com R$ 100 de desconto, e R$ 449, com R$ 150 de desconto, respectivamente. O Amazon Echo chega ao mercado em novembro, a R$ 700.
Para adaptar a Alexa ao Brasil, uma equipe se dedica a incluir regionalismos, gírias, sotaques e cultura popular.
Desde o ano passado, a empresa treina a inteligência da enviando dispositivos a alguns usuários. À medida que mais pessoas conversam com o assistente, maior a captação de dados que alimenta o aprendizado da máquina.
A ideia da Amazon é tornar a Alexa brasileira mais coloquial do que a versão francesa, que é pautada pela formalidade. A equipe também foca estrangeirismos. “Entre opção de falar inglês nativo ou ler inglês como se fosse português, ela fala ‘inglês brasileiro’. Diz ‘smartiphone’, não smartphone”, diz Garrido.
Após pressão nos Estados Unidos junto a outras gigantes, a Amazon incluiu mais camadas de proteção à privacidade. A empresa garante que o sistema apaga gravações do servidor quando ordenado e que usuários podem optar por não ter conversas revisadas por times humanos.

Fonte: FP : ECONOMIA

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