O Grupo dos Alcoólicos Anônimos do Bairro Santo Antônio, em São Mateus, há mais de três anos abre as portas para as reuniões periódicas semanais. Conforme detalha a secretária do grupo e amiga de AA, Jéssica Karolina de Jesus Coutinho, a missão do grupo é nobre: “Devolver às pessoas a qualidade de vida destruída pelo alcoolismo, um dos mais mortais e disseminados vícios do País”.

Os dados relacionados ao alcoolismo no Brasil são alarmantes. Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade no Brasil, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, houve crescimento de 18,4% nos óbitos causados por transtornos mentais ligados ao uso do álcool ao longo da crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Entre 2012 e 2017, a tendência foi de queda, com 15% de redução de mortes no período provocadas por problemas relacionados ao alcoolismo. Estáveis em 2018 e 2019, os índices explodiram a partir de abril de 2020, quando começaram a aparecer os primeiros óbitos relacionados à covid 19, segundo os dados do Ministério da Saúde.

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“Nesse período, outros dois grupos de alcóolicos anônimos de São Mateus fecharam as portas em definitivo. Ainda assim, a procura pelo grupo do Santo Antônio não aumentou, como era de se esperar” – avalia Jéssica.

A secretária do grupo explica que, “apesar de a maioria das clínicas de recuperação indicarem o AA como fundamental para ajudar os dependentes a lidarem com o problema, as pessoas ainda têm preconceito, acham que vão encontrar nas reuniões um bando de bêbados, enquanto a realidade é totalmente diversa”.

Ela afirma que conheceu o AA devido a problemas de alcoolismo com um familiar próximo. “Sinceramente, não sei o que poderia ter acontecido se o AA não existisse”.

 

Negação do problema, preconceito e medo de buscar ajuda

 

São Mateus – Além do preconceito, normalmente decorrente do desconhecimento do trabalho realizado pelo AA, Jéssica Karolina de Jesus Coutinho destaca que uma grande quantidade de pessoas que desenvolvem problemas relacionados ao alcoolismo se recusa a admitir o problema e acaba adiando a busca por ajuda.

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Dessa forma, a secretária e tesoureira do grupo aponta esses obstáculos como os principais a serem enfrentados pelas pessoas que têm dependência alcóolica. “Mesmo depois de frequentar algumas reuniões ainda existe tendência à evasão, o que pode pôr a perder os resultados conquistados pelo apoio mútuo que, juntamente com a perseverança em manter-se sóbrio, é a base do trabalho e dos resultados obtidos pelos alcoólicos anônimos” – enfatiza.

Jéssica afirma que no período de maior restrição à circulação e convívio das pessoas durante a pandemia, o grupo precisou suspender as atividades por cerca de seis meses, mas já retomou as reuniões desde abril deste ano. Segundo ela, no período de suspensão das atividades, o fundador do grupo faleceu.

 

ENCONTROS

Os encontros semanais, toda quarta-feira a partir das 19h, acontecem na Rua Copa 70, no Bairro Santo Antônio, no espaço de vivência da terceira idade. O telefone de contato do grupo é o 9.9902.5612.

 

Foto do destaque: Divulgação

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